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sábado, 11 de fevereiro de 2012

Além do retrato

Começamos 2012 descartando 2011. Ficamos 6 dias nos despedindo de 359 dias que na maioria das vezes foram péssimos. Assim, nos desfazemos de alguns pensamentos, algumas amizades e iniciamos o novo ano com todo cuidado e zelo, que lá pelas tantas de março também é descartado. Todo esse despejo é reunido em álbuns que guardam momentos alegres, engraçados, vergonhosos e talvez dispensáveis. De vez em quando são lembrados e tem seu momento de glória nos álbuns virtuais, mas... um clique e a memória do que se foi desaparece. Semana passada estive com meus avós e em meio ao ócio das férias nos deliciamos com velhos álbuns de fotos. Fotos amassadas, amareladas com aquele cheiro de passado. Vimos o biso e a bisa, o tio que é a cara do sobrinho, meus avós aos dezoito anos, iniciando uma longa história. Em meio aquelas folhas estavam diferentes momentos, diferentes histórias, a memória de uma família, o seu legado. Como descartar tudo aquilo e ignorar o significado de cada retrato? As gerações se comunicam através desses vestígios de memória, que estão escondidos no fundo do armário. Não nos comunicamos somente por meio de palavras, sons, imagens, movimentos. Essa é a essência da fotografia. Em a Câmara Clara, o filósofo francês Roland Barthes vai além e procura na fotografia algo que é capaz de "tocá-lo" independente daquilo que seu olhar busca. Ele diz que "o órgão do Fotógrafo não é o olho (...), é o dedo: o que está ligado ao disparador da objetiva". Desse modo, a fotografia é uma metonímia, uma marca deixada pelo fotógrafo e que afeta o olhar de quem observa. Através daqueles retratos tocamos o diploma que meu avô orgulhosamente segurava e nos deslumbramos com a brisa do mar, sentida pela primeira vez por meu pai, ainda criança. Um novo ano começou, mas as memórias daqueles 359 dias e de muitos outros ainda tocam e ainda são lembrados. Saudosismo à parte, mas são nesses momentos que entendo velhos hábitos, algumas manias e decisões. Olhando o passado entendemos o presente e projetamos um novo futuro.


Um abraço,

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Ainda sob o sol de Roma

Ver, tocar e respirar a história da cidade foi inesquecível. Visitamos palácios, igrejas, e o incrível Coliseu. Mesmo repleto de turistas, que surgiam por traz das ruínas, em cima das escadas e se aglomeravam nas grades, todos exibiam em seus rostos uma expressão de contemplação, quase reverência. Pesava em cada olhar o significado que o mais famoso ponto turístico de Roma possui. O Vaticano foi outra visita que merece ser contada. O museu de lá esboçou um pouco da beleza artística que marcou toda a viagem. Tetos sensacionais (sim, tetos), sempre ornamentados e com alguma história para contar. Também vimos inúmeras esculturas e pinturas de diversos artistas. Como não podia faltar, houve um pequeno "barraco" e sim, no Vaticano. Ao tentar comprar alguns chaveiros, me desentendi com o dono do estabelecimento na hora do pagamento. Já que também possuo sangue fervido, não me contive. Joguei no balcão (e na cara do nervoso italiano) tudo que eu e minha prima (que observava a cena atônita) havíamos separado e em inglês- espanhol- italiano- português esbravejei que jamais voltaria ali, o que fez com que o dono rogasse inúmeras pragas. 



Pesava em cada olhar o significado que o mais famoso ponto turístico de Roma possui.

Barracos à parte, a perfeição da Basílica de São Pedro nos deixou sem ar, assim como os italianos. Foi ali que vimos o "homem mais bonito do mundo". Na verdade, foi em Roma o começo do que podemos chamar de concurso para o "homem mais bonito do mundo". Os italianos são altos, magros, possuem um leve bronzeado, cabelos bem escuros com sobrancelhas espessas, que amparam um olhar irresistível. No famoso bairro Trastevere, podemos ver a essência do charme italiano. O bairro possui ruas estreitas, com ar antigo, roupas penduradas nas varandas e muitos bares, de pubs à restaurantes com cardápio exclusivamente não- turístico.  Desde o início da noite o movimento é intenso. Muitos jovens, muitos turistas e muitos italianos galanteadores. Víamos por todos os lados turistas, felizes da vida (por sinal), escoltadas pelos belos ragazzi. 

Isso foi  MAIS um pouco de Roma.

Um abraço,

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Sob o sol de Roma

*Pequeno relato sobre a viagem à Europa feita em outubro de 2011 na companhia de Renata Marcelino, Daiane Nogueira e Lilian Lima.


Espera-se de Roma muita coisa, mas nada se compara ao que a cidade tem a oferecer. Em meio a vespas, que passavam aos montes e com toda velocidade, pudemos presenciar o que seria o engarrafamento italiano. Muito barulho, muitos mini- carros e muitos italianos batendo boca. Mas havia um grande diferencial: ao mesmo tempo que o burburinho do trânsito gritava que a cidade era apenas mais uma grande capital, os prédios, monumentos e casas contestavam qualquer rótulo e juntavam o novo com o antigo harmoniosamente. A emoção era quase incontida, o berço da história estava à nossa frente. Dividimos o táxi com duas indianas e já percebemos que a cidade também harmonizava diferentes culturas e etnias, que estavam ali a passeio ou procurando oportunidades. Já no hotel, nos aliviamos por chegar sã e salvas, pelo taxista não ter cobrado um preço exorbitante e pelo recepcionista ter boa pinta. Até que chegamos no quarto e vimos que nem tudo são brioches italianos. Desde o aeroporto pudemos perceber que os italianos são acima de tudo geniosos. Andavam em suas vespas com seus ternos impecáveis, óculos de sol e bolsas de couro nos ombros, como se a vida não exigisse esforço algum. Entretanto, apenas um apertãozinho no calo fazia o sangue ferver. E como. Mesmo no centro da cidade era possível perceber os gestos exagerados, as mãos que tentavam acompanhar o diálogo, a cara vermelha e a explosão de palavras que felizmente não entendíamos. 


 A emoção era quase incontida, o berço da história estava à nossa frente. 


A elegância corria solta. As mulheres, muito esguias, sempre bem arrumadas, usavam, ousavam um estilo único, o que era péssimo para minha dor no cotovelo. Elas abusavam de mini- saias, mini- shorts, lenços e posso afirmar que elas sim, sabem usar um birote. Curiosíssimas, fizemos nossa primeira refeição em um restaurante que não tinha mais de cinco mesas e se encontrava em um charmoso beco. À meia luz, as mesas eram enquadradas por um toldo branco e algumas flores e plantas que enfeitavam as paredes. A rua estava a poucos metros do escondido lugar e conseguíamos ver seu movimento. A pizza, sem dúvida, não era brasileira. A casca era fina, com molho de tomate e queijo por cima, acompanhada pelo vinho da casa. Mas o ponto alto foi a macarronada de um restaurante familiar enfrente a uma velha igreja, em uma das típicas praças da cidade. Mal chegamos e a "mama" que atendia os fregueses começou a discutir com a mesa ao lado, que lógico, era de turistas. Mesmo assustadas, resolvemos ficar e pedir os pratos, o que em toda viagem sempre gerou muito ansiedade em todas. Naquele restaurante todos falavam italiano, somente italiano. Ao ver nossas caras vacilantes a "mama" não teve dúvidas. Escolheu nossos pratos, as bebidas e a sobremesa e saiu sem deixar tempo para choro nem vela. E que fantástica foi a refeição.
Em todos os restaurantes, esperava acinosamente a sobremesa. Os sorvetes, ou melhor, gelatos, eram irresistíveis no calor que enfrentamos em pleno outono europeu. De todas as cores e sabores, primeiro o comíamos com os olhos e depois com o estômago mesmo.

Sobremesa após visita ao Coliseu.


   
Isso foi um pouco de Roma.


Um abraço,

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Texto Enjoadinho


No começo o choro era abafado, mas a medida que ia pegando ar criava vida e pousava nos ouvidos cansados de sua mãe. Ela havia passado a noite inteira à espreita, como se um olho permanecesse fechado e o outro aberto, preocupada com cada movimento do pequenino. De pequeno, não tinha nada. Havia nascido grande e robusto, mas a mãe aproveitava enquanto sua mãosinha ainda podia ser gentilmente abraçada pela palma de sua mão. Além disso, como o garoto puxara o pai, logo, logo estaria maior que ela, que já ia pensando em meios de paparicar sua cria do alto dos seus 1.60 metros de altura. Léo era a cópia de seu pai, expressivo como ele, com uma grande cabeleira, um sorrisão e a cara de sapeca mais precoce que já existiu, mas, ainda assim, continha a serenidade do olhar de sua mãe. O casal ainda não acreditava na mistura. Como pode dois se identificarem e se reconhecerem em um? O medo logo era aliviado pelo cheirinho de talco que o pequeno deixava no travesseiro da cama. Os frufrus, os braulhinos e os berros eram sempre bem vindos e vivenciados com toda intensidade, tanta que saiam atordoados, não só pelos berros, mas por todas as histórias que ouviam sobre filhos alheios. Concluíam: Filhos? Melhor não tê-los. Meleca dali, fraldas daqui, noites em claro, conta bancária às moscas, esposa atarefada, esposo preocupado. Mas se não o temos, como sabê-lo? Agora, a história que juntos escreviam tinha um delicioso desfecho, pra que pensar em uma vida sem as mamadeiras de bichinho, as colônias de bebê e as roupinhas azuis? No começo pensaram no impacto que essa vida traria, não teriam tempo para traçar os planos que haviam formado ainda jovens, mas perceberam que agora outros objetivos haviam sido estabelecidos, e tão bons quanto.


*Poema enjoadinho, Vinícius de Moraes.


Um abraço,